“Assim como acontece com a flor numa planta, é na cultura que reside a capacidade (ou a responsabilidade) da elaboração e da fecundação do germe que garante a continuidade da história, garantindo, simultaneamente, as perspectivas da evolução e do progresso da sociedade em questão.”
Amílcar Cabral, Cadernos de Resistência Cultural.
Os ideais de liberdade culminaram na declaração da independência dos povos africanos que aspiraram assim à soberania política e a possibilidade de conduzirem o seu próprio destino, recuperando a sua história, resgatando a sua cultura e afirmando a sua identidade.
Nesse aspecto, Cabral foi sem dúvida um visionário ao identificar o que ele chamou de “Dilema da Resistência Cultural”, denunciando a pretensa teoria da assimilação progressiva das populações nativas como uma tentativa, mais ou menos violenta, de negar a cultura do povo em questão, o que inviabilizava assim qualquer forma de progresso, pelo que “…se o domínio imperialista tem como necessidade vital praticar a opressão cultural, a libertação nacional é, necessariamente um acto de cultura.
Com a ascensão à independência nacional, Cabo Verde apesar de inúmeros constrangimentos prosperou como nunca e apresenta hoje um dos índices de desenvolvimento humano mais elevados do continente africano segundo os indicadores da ONU.
Daí que embora se possa aceitar que a influência da cultura no desenvolvimento tem tido um papel importante, esta ainda destaca-se mais no papel decorativo, do que parte integrante engrenagem do desenvolvimento do País como qualquer outro sector da economia.
Actualmente, os estudiosos contemporâneos da economia da cultura defendem que é preciso que as problemáticas em torno da cultura sejam ampliadas para além das fronteiras do financiamento para um leque mais vasto de questões, indo para além da produção cultural e das linguagens artísticas, vendo a cultura sob 3 grandes dimensões, como a simbólica, a económica e a de cidadania.
Nesse âmbito, a cultura tem um papel central na agenda do desenvolvimento, abandonando a visão tradicional da cultura mercantilizada, para uma nova visão, onde a cultura, dado a sua importância para a vida em sociedade, é pensada a partir de outra noção de riqueza, assumindo a vocação de desempenhar papel estratégico no desenvolvimento sustentável de países emergentes.
O GRUPO DOS AMIGOS DA FUNDAÇÃO AMILCAR CABRAL, se propõe a de reflectir e debater a cultura na óptica de estado, inserida no contexto do desenvolvimento económico e social, apoiando-se em instrumentos de política nacional e internacional, através da produção de eventos e expressões culturais, partilhando as grandes questões da nossa época com o público interessado.
Outubro 10, 2008 at 11:26 pm
Assunto: PARTILHA.
Textos e Imagens de Cabo Verde em:
EU CÁ VOO CAMINHANDO
(http://eucvoocaminhando.blogspot.com)
e em:
EU.CÁ.VOO.CAMINHANDO
(http://ecvcaminhando.blogspot.com)
Abraço(s)fraternos e solidários
de
José Alberto Mar
(Portugal)
Novembro 3, 2008 at 1:28 pm
Inaltecer uma figura como foi o Amilcar Cabral, é sempre importante no espirito dos Caboverdianos e não só! No meu ponto de vista, foi também muito importante para o mundo e, devia-se falar muito mais sobre a figura do Cabral, que sinto muito esqucido em Cabo Verde e fora do mesmo.
Aproveito aqui como um caboverdiano, para lançar um desafio. Sou escultor, vivo e resido em portugal, gostaria muito de retrar Amilcar Cabral em várias situações da sua vida, (Política e não só), através da escultura em pedra. Para isso necessito de meios financeiros para o desafio.
Caso queiram abraçar comigo esse projecto, tem ai o meu contacto.
José Brazão
Maio 3, 2009 at 1:11 am
Queridos amigos,
Achamos o vosso site maravilhoso na sua construçäo, para a memória e conservaçäo dum dos mais importantes Africanos de todos os tempos!
Com a vossa autorizaçäo, gostariamos de colocar o vosso site nos “links” do nosso. Obrigado, parabéns, e longa vida ao vosso noble e magnifico projecto.
Ricardo C. Fernandes ( El Kady )
Julho 23, 2009 at 3:25 pm
Claro que tem autorização.
Muito obrigada pelas palavras.